quinta-feira, 29 de outubro de 2009

carpe diem

O Eduardo Prado Coelho disse-me um dia:
- A Luísa inaugurou hoje a Primavera.
Fiquei perplexa, e, perante o meu ar embaraçado, respondeu-me:
- Então, porque hoje vem com uma roupa de primavera e está a chover a cântaros.
Já não me lembro se lhe disse que era o dia dos meus anos, mas recordo-me bem da roupa que levava: um conjunto de saia de algodão arrendada e uma blusa do mesmo tecido, comprada na Casa Africana (era uma loja que ficava na Baixa, onde agora é a Zara).
Isto lembra-me uma outra história de um professor de Psicologia que tivémos no liceu de Oeiras. Chamavamos-lhe o Boróró (alcunha tirada da imagem de um macaquinho de pilhas). Eu gostava muito dele porque ele entendia a minha timidez e a crise existencial pela qual eu estava a passar, não me censurando por escrever nos testes a tinta verde e em letra miudinha, quase ilegível).Seja como for,esse professor andava sempre com o mesmo casaco todos os dias. No entanto, um dia, esse mesmo professor levou um casaco novo. Nós reparámos logo e perguntámos (eu e uma amiga minha de estimação,a Manela):
- Então professor, hoje faz anos?
- Faço.- respondeu, perplexo - Como descobriram?

- É porque traz um casaco novo.

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