Gostava de congelar o tempo e acordar daqui a três meses. Poderíamos então dizer outra vez olá e recomeçar onde ficámos. Houve qualquer coisa que se perdeu nestes encontros e desencontros, qualquer coisa que não tem a ver contigo nem comigo, simplesmente já é um dèjà vu dizermos que estavamos na hora errada no sítio errado.
Tenho um livro novo entre as mãos e nem sequer to posso folhear. Tenho um segredo para te contar, queres ouvi-lo? Olha o horizonte, um pássaro grande feito do meu sentimento leva as minhas palavras para delas fazeres uma canção nova. Estende a mão, não recuses o beijo que te dou agora.
domingo, 27 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Amor
A minha vida repete-se em círculos, como se me fosse dada sempre uma segunda oportunidade de reescrever a minha biografia. Assim, apaixono-me, desconstruo-me, fundo um blogue, escrevo um livro, e afinal não passei de um affair.
Cést la vie!
Cést la vie!
sábado, 5 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
O flartar passou de moda
O flartar passou de moda e é visto como uma prática de ociosos intelectuais falidos.
Aquela troca de olhares, em que se acende a centelha da paixão, esmoreceu por completo, não existe mais. Nem o nó na garganta, o bordão repetido em busca do que se há-de dizer, quando as palavras saem titubeantes e atraiçoam o olhar de desejo.
Instituiu-se o pragmatismo na relação, o consumismo nos afectos, o amor sexualizou-se, esvaziou-se de aura e magnetismo/mistério.
A paixão essencialmente química, transcendente, porque avassaladora/arrebatadora transmutou-se num acto físico, numa descarga de energias ou troca de fluidos, muitas vezes nem sequer para preservação da espécie.
O curtir substituiu o flirt.
Há tempos fui a um bar e passados alguns minutos um indivíduo aproximou-se de mim. Pensei que ia encetar uma conversa de engate e confesso a perspectiva agradou-me. As primeiras e únicas palavras, aliás, foram:
- Queres fazer amor comigo esta noite?
Não me perguntou o nome, não interessava para o caso, era perfeitamente indiferente, nem me olhou sequer de forma libidinosa, disse aquilo fria e mecanicamente como quem põe um contrato em cima da mesa e espera que o assinem.
Sinto a agressividade do machismo.
No princípio era o verbo, agora é a carne.
O flirt tinha a linguagem da palavra, do gesto e do olhar como signos de comunicação e aproximação ao objecto de desejo, mas não chegava ao toque.
A arte residia em manter essa tensão latente entre os dois, um pouco o que acontecia nas cantigas de amor medievais, em que a dama, muitas vezes casada, era cortejada pelo trovador que utilizava um código de palavras secreto, para não ferir a integridade da mulher.
Aquela troca de olhares, em que se acende a centelha da paixão, esmoreceu por completo, não existe mais. Nem o nó na garganta, o bordão repetido em busca do que se há-de dizer, quando as palavras saem titubeantes e atraiçoam o olhar de desejo.
Instituiu-se o pragmatismo na relação, o consumismo nos afectos, o amor sexualizou-se, esvaziou-se de aura e magnetismo/mistério.
A paixão essencialmente química, transcendente, porque avassaladora/arrebatadora transmutou-se num acto físico, numa descarga de energias ou troca de fluidos, muitas vezes nem sequer para preservação da espécie.
O curtir substituiu o flirt.
Há tempos fui a um bar e passados alguns minutos um indivíduo aproximou-se de mim. Pensei que ia encetar uma conversa de engate e confesso a perspectiva agradou-me. As primeiras e únicas palavras, aliás, foram:
- Queres fazer amor comigo esta noite?
Não me perguntou o nome, não interessava para o caso, era perfeitamente indiferente, nem me olhou sequer de forma libidinosa, disse aquilo fria e mecanicamente como quem põe um contrato em cima da mesa e espera que o assinem.
Sinto a agressividade do machismo.
No princípio era o verbo, agora é a carne.
O flirt tinha a linguagem da palavra, do gesto e do olhar como signos de comunicação e aproximação ao objecto de desejo, mas não chegava ao toque.
A arte residia em manter essa tensão latente entre os dois, um pouco o que acontecia nas cantigas de amor medievais, em que a dama, muitas vezes casada, era cortejada pelo trovador que utilizava um código de palavras secreto, para não ferir a integridade da mulher.
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